TRABALHO – Horizontes da Mente – Miramez

O trabalho é a glorificação de um ser, de um povo e da Humanidade.

E saber trabalhar é a libertação insofismável da consciência.

O labor excelente é aquele que imprescinde do amor, em todos os seus exuberantes traços.

Basta olharmos para o nosso corpo, como arquétipo divino e deduzirmos sua função.

Analisarmos milímetro por milímetro, descer mais, milésimos de milímetro, irmos à área do micro e cientifica ficarmo-nos da operação da molécula e da célula, dos órgãos e do soma corpóreo, e logo entraremos em êxtase, ao vermos a grandeza de Deus, fazendo de um corpo físico a expressão fiel do macrocosmo, e concentrando nele todas as ciências universais, configurando, nesse mundo orgânico, todas as leis em dimensões compatíveis com a sua estrutura.

E esse corpo vive porque trabalha.

Mas trabalha sem interrupção, de modo mais perfeito que qualquer máquina dos homens, mais engenhoso que qualquer indústria da Terra, e de muito mais valor que todos os computadores juntos, porque é essa máquina, humana e divina ao mesmo tempo, que cria todas as outras.

É ela que serve para a chama espiritual que pensa, que raciocina e que ama.

A biologia bem compreendida nos mostra quanto vale o trabalho do corpo físico, sem o qual não laboraríamos na carne, para mais um passo na grandeza espiritual.

A botânica mostra quase os mesmos traços de vida nas árvores.

E se assistíssemos a um filme na expressão cinética de como vive uma planta, cairíamos de joelhos, dando muitas graças a Deus, por serem todos os movimentos guiados por uma inteligência, diante da qual a nossa desapareceria: a mecânica de respiração, as mutações de elementos e a fotossíntese, a purificação do ar e a força magnética das raízes, que trabalham em sucção de água.

Quando esse líquido se escasseia em seu derredor por mais de quinze metros, a engenharia divina dá distribuição às raízes, para suportarem o peso do lastro corpóreo da árvore e ainda muitos segredos através do véu de Isis.

Tudo isso e muito mais é trabalho bem orientado, bem dirigido, que se transforma em movimento e este em vida.

Há alguém que disse, pela força da ignorância, que os peixes, os insetos, os vírus vivem bem, porque não trabalham.

Como se engana! Eles vivem bem porque trabalham, e muito.

Os peixes conservam as águas, transmutam elementos e compõem formas bioquímicas, em trocas com outros seus semelhantes de espécies diferentes.

Trabalham porque se movimentam constantemente.

E esse mover é o misturar de raios e ondas, de essências e fluidos.

As aves têm, igualmente, seu grande labor na higienização do mundo, na alimentação dos homens e na arte de distrair, principalmente, os seres humanos carregados de neuroses, enlameados na dúvida e frustrados por golpes inesperados de processos evolutivos.

Por falta de espaço, não poderemos enumerar as linhas de trabalhos que a vida entregou a todas as vidas menores.

Os insetos têm suas obrigações, e os vírus, até certo ponto, garantem a vida humana.

Nada há o que não tenha sua função utilitária.

Tudo isso é trabalho.

Passando à área humana, o trabalho se eleva, chegando à solidariedade e à tolerância, que estão sempre ligadas por laços irremovíveis, que a alma jamais – 154 – poderá esquecer.

O espírito, quando atinge a eminência do labor, esquece-se de si mesmo e se converte em um gigante da beneficência coletiva.

Quem trabalha com um bom senso tem a prerrogativa de ser tranquilo, pois está cumprindo uma das primeiras leis de Deus.

IMada pára na criação e o Senhor opera incessantemente.

O trabalho é função mercável no mundo.

Não obstante, as leis de justiça pedem respeito â economia alheia, para que o labor não se transforme em usura desprezível e egoísmo desmedido.

Assim diz Confúcio: Deus pôs o trabalho de sentinela à virtude .

E acrescentamos: a paciência, como pensam muitos, não é preguiça, é moderação ou vigilância, para evitar erros contundentes.

E se todas as outras virtudes são necessárias ao homem, o trabalho é indispensável.

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