RECONCILIA-TE SEM DEMORA COM O TEU ADVERSÁRIO – Rodolfo Calligaris – O Sermão da Montanha

Disse Jesus:

“Se estiveres fazendo tua oferta diante do altar e te lembrares

de que um teu irmão tem contra ti alguma coisa, deixa ali tua

oferta e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão; depois, então,

volta a fazê-la.

Concerta-te sem demora com o teu adversário, enquanto estás

posto a caminho com ele, para que não suceda que ele, o

adversário, te entregue ao juiz e que o juiz te entregue ao ministro

e sejas mandado para a cadeia.
Em verdade te digo que não sairás

de lá enquanto não pagares o último ceitil”.
(Mateus, 5:23 a 26.
)

A oferta sacrifical era um ato de fé largamente praticado pelos

judeus, pelo qual buscavam alcançar a remissão de seus pecados.

Julgavam suficiente o sacrifício de inocentes ovelhas, cabras

ou novilhos, para obter esse favor, ignorando fosse preciso, a seu

turno, agir com bondade em relação ao próximo.

Jesus, entretanto, aponta-nos a inutilidade de toda e qualquer

prática devocional, quando feita sem a necessária tranquilidade de

consciência.

Deus é Amor e, com sentimentos ou propósitos inamistosos no

coração, é impossível entrarmos em sintonia com Ele ou

recebermos a graça de seu perdão.

Assim, sempre que nos sintamos ofendidos por alguém, em vez

de lhe censurarmos o procedimento com terceiros, o que nos

cumpre fazer é entendermo-nos direta e francamente com nosso

ofensor.
É bem provável que não tenha tido a intenção de magoarnos

e que seus esclarecimentos satisfaçam-nos plenamente.
De

qualquer maneira, é sempre mais correto dirimirem-se atritos e

dificuldades, agindo dessa forma, do que dando-se livre curso à

maledicência.

Se, ao contrário, nós é que defraudamos um irmão, temos a

obrigação moral de, como cristãos que pretendemos ser, fazer-lhe

a devida restituição e pedir-lhe que nos desculpe; ou, se o

agravamos, afetando-lhe a honorabilidade, buscar as pessoas às

quais demos informações falsas ou maldosas a seu respeito, e

retirá-las quanto antes, confessando humildemente nosso erro.

Quem, por orgulho, se esquive a essa reconciliação, poderá ser

surpreendido pela morte, em débito com a Lei de Harmonia que

preside às relações dos homens entre si, e, obrigado, então, a

responder em “Juízo” pela inobservância dessa Lei, não escapará

à “prisão” das reencarnações expiatórias, eis que “a cada um será

dado segundo as suas obras”.

A Justiça Divina, no entanto, é rigorosamente perfeita e não

exige do devedor mais do que ele deve.

Afirmando: “não sairás da cadeia enquanto não pagares o

último ceitil”, Jesus deixa claro que não há pecados irremissíveis,

nem, por conseguinte, condenação eterna.

Nossas dívidas, por maiores que sejam, expressam-se por um

valor determinado, têm um limite e, desde o instante em que

paguemos “o último ceitil”, já não ficaremos devendo nada e,

pois, seremos postos em liberdade, o que vale dizer, seremos

novamente senhores de nosso destino, podendo, trabalhados por

essa amarga experiência, caminhar com mais segurança, rumo à

felicidade reservada a todos os filhos de Deus.

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