Ressignificação – Redação do Momento Espírita


A vida nos surpreende diariamente com acontecimentos que nos desagradam.

Desde pequenos incômodos, coisas que não saíram como esperávamos ou do exato jeito que queríamos, passando pelas reprovações, não aceitações, os muitos nãos aqui e ali, até grandes sofrimentos que mudarão o curso de nossa existência.

Com isso vem o desafio: Como lidar com essas surpresas sempre desagradáveis, pelo menos num aparente primeiro olhar?

Percebamos uma característica nossa, muito frágil, que precisa ser reformada: nossa inabilidade em lidar com o inesperado.

Criamos expectativas baseadas em nossas vontades, em nossos desejos, por mais absurdos que sejam, e saímos por aí, como se o mundo tivesse obrigação de nos atender.

Dificilmente estamos abertos ao novo, ao imprevisível, a deixar de querer ter controle sobre tudo e sobre todos.

Muitos ainda temos essa ilusão de que podemos controlar tudo.
E os dias difíceis nos mostram que não é bem assim que funciona.
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Tão logo deixemos de ter toda essa prepotência, essa pretensão, ou até ingenuidade, começamos a receber os acontecimentos da vida de uma forma mais inteligente.

Isso ou aquilo não aconteceu como queríamos ou como planejamos? Mas, será que nosso querer estava certo? Teremos planejado da melhor forma? Será que de outro jeito não seria melhor para nós?

Descemos de nosso patamar de controladores, conquistamos um pouco de humildade e seguimos adiante dando novo significado a tais coisas.

Essa é uma das nuances da virtude da resignação.
Se observarmos a palavra mais de perto, perceberemos que ela é formada por re – signo – ação, isto é, a ação de dar novo significado a algo, ou, a ressignificação.

Notemos que não se trata de uma virtude comodista, passiva, de apenas aceitar o que nos acontece sem murmúrio, reclamação.

Ela é dinâmica, porque quando ressignificamos algo tomamos atitudes, caminhos, passamos a agir de nova forma.

Resignação é força da alma, o consentimento do coração corajoso, que resolve enfrentar o que quer que seja, entendendo seu significado redentor na vida.

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Ser resignado significa podermos carregar o fardo das provas que a revolta insensata não suporta.

Ser resignado significa sofrermos buscando entender porque sofremos, ou melhor, para que sofremos, encontrando em cada obstáculo da vida uma oportunidade.

Ser resignado é pensarmos adiante e não nos permitirmos escravizar pelo presente, muitas vezes em desacordo com nossos desejos imediatistas.

Ser resignado é estarmos em paz conosco mesmo e com as leis divinas, que apenas nos educam para a melhor estabilidade do nosso amanhã.

Dessa forma, submetamo-nos, paciente, resignadamente às situações atuais e, insistindo nos bons propósitos, construamos o porvir de bênçãos que ainda não podemos fruir.

Redação do Momento Espírita.

Em 18.
2.
2019.

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